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As Quatro Estações: A Lança de Ferro

Por Ray

No Mundo das Trevas, o equilíbrio é mais frequentemente alcançado através da contraposição de extremos do que propriamente uma busca pelo mesmo. E se isso é verdade para a natureza mágica dos Perdidos, é ainda mais verdadeiro no que ainda lhes resta de humanidade.
Por todo o pânico e paranóia que permeia o arremedo de vida queeles tentam reiniciar quando alcançam o mundo real, os Changelings temem e precisam desesperadamente de confiança. Tanto que, nos capítulos introdutórios do cenário, uma coluna de 87 linhas é dedicada específicamente ao assunto, ou mais precisamente, á dicotomia que justapõe desejo intenso e medo desesperado em todas as relações sociais do Changeling.
E, simulando nossa sociade, a deles também é composta de camadas que se sobrepõe. A primeira, e mais imediata, é a mixórdia (curioso como tantas coisas mudaram, mas esse termo esdrúxulo permaneceu), a matilha do Changeling. A sua família.
E a última é a corte, os compromissos de ideologia e lealdade, uma sociedade maior e mais complexa, que pode servir tanto como círculo social como pátria.
E,naturalmente, eles ganham as bençãos (e benefícios registrados em ficha) de suas cortes, envoltos em seus Mantos.

As Grandes Cortes são, no cenário oficial, quatro, cada uma nomeada em homenagem a uma Estação e relacionada a uma Emoção, contratados com os Próprios em tempos remotos. Há outras, naturalmente, tão mais diferentes das originais quanto mais distantes de Concórdia, digo, da América. :P

E adivinhem só qual é o prato principal deste post e dos (meus) próximos três, hã?

Começaremos com a estação que assiste a o crepúsculo e a alvorada de nossos anos neste hemisfério:

VERÂO

A Lança de Ferro, A Corte Carmim, A Corte da Ira

“Spartans! Tonight we dine in hell!”

Ceifados de seu mundo, escravizados, humilhados e fadados a serem caça pelos resto de seus dias, ouvir-se-ia, posterior ao ruído de uma espada desembainhada ou uma arma engatilhada, a frase ” Pois venham, seus bastardos, que eu mostro a vocês o que fazemos com monstros como vocês na minha terra”. Não é para fazer efeito, é para fazer estrago.

Todos os fundadores das Grandes Cortes fizeram Contratos com as Estações para obterem seus favores. Alguns pediram, outros barganharam, e outros seduziram. Sam Noblood quebrou um galho forte coberto de folhar amareladas, fez dele uma lança e caçou o Verão até acuá-lo, quando obteve suas bençãos em troca de dar-lhe paz. Essa qualidade se traduz no coração de todos os membros que juraram lealdade á Corte Carmim: força, determinação e coragem. Eles são guerreiros, diretos e sinceros, e embora sejam menosprezados por sua simplicidade de caráter, são a muralha que se interpõe entre qualquer Perdido e os Fae. Quando eles caminham, ornados nos seus simbolos de vivos tons rubros, verdes, azuis, amarelos e dourados, com toda sorte de armas, tudo neles inspira e transpira força e fortaleza, e seu Manto os faz exalar um calor pungente, e não raro ao seu redor pode-se sentir o vento tornando-se seco e morno.

Não é a raiva desmedida, colérica e irracional que alimenta a chama rubra por trás dos olhos dos veranistas. É o fato que, mesmo que tenham perdido tudo na Terra, agora têm seus amigos, suas mixórdias, suas freeholds. Eles têm alguém por quem lutar, e pelo fio da espada do Rei, quando os Outros chegarem, eles não levarão nada, mas perderão tudo.

(É, eu curti 300 pra caramba, tenho uma camiseta com a frase da Gorgo e vejo videozinhos no youtube quase todo dia. Principalmente agora que eu descobri que o Rei Leônidas reencarnou aqui na Selva e se chama Capitão Nascimento.)

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4 Comentários para “As Quatro Estações: A Lança de Ferro”

  1. 1
    Salsa:

    E, sabe-se lá como, não gosta de Crab.

  2. 2
    Fabio Lins:

    Bem,

    o ponto é que Motley não significa mixórdia. Embora tenham boas traduções no C:tD, essa foi uma das menos felizes. Motley era a roupa típica do bobo-da-corte e do arlerquim na comédia del’arte, ou seja, um traje composto de retalhos de cores diferentes. O grupo seria o motley e os changelings os retalhos, cada um com um padrão e cores próprias. Seria necessário fazer uma pesquisa em livros especializados para ver se a roupa do arlequim possui nome em português (suponho que sim, embora deve ser algo hermético conhecido apenas de especialistas). Mixórdia foi só um termo preguiçoso que não faz a mínima referência ao contexto teatral que é usado como referência do universo do C:tD (vide os Realms, também erroneamente traduzidos como “alçadas”: Ator, Cena, Adereços, etc).

    *Minha* opção, para manter a intenção do autor, foi buscar o termo teatral “trupe” que uso até hoje tanto nas minhas traduções de changeling quanto nos jogos.

  3. 3
    Phil Souza:

    Continue postando Ray, você quase nunca aparece, mas gostei do seu ultimo post, você tem um senso de humor interessante… :D

    Fico impressionado com o monte de associações, hierarquias que se empilham em changeling. E olha que eu já estava curioso pra comprar antes de conhecer a matilha…

    E é verdade… acharam um chuck norris/rei leonidas/jack bauer brasileiro…

  4. 4
    Ana:

    Ficou muito bom o post. Espero que o alarme carinhosamente gravado em seu celular continue funcionando e você poste mais vezes aqui.
    Fábio, você pode comentar em outros artigos também, não só nos da Ray…

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