Como ser criança novamente.
Por AnaEu já falei aqui sobre Little Fears e personagens infantis e o desafio de histórias envolvendo crianças na trama. Mas os textos falavam basicamente do ponto de vista do personagem num mundo cheio de perigos e as vantagens e desvantagens de ser menor, mais fraco e vulnerável.
Mas e do ponto de vista do jogador? Até quando conseguimos interpretar de maneira verossímil uma criança, considerando que boa parte dos jogadores não são mais tão jovens?
Algo interessante que observamos em nossa crônica de Little Fears é que o jogador mais novo da mesa (no caso, a Ray) foi exatamente aquele que teve mais dificuldade em interpretar uma criança. Apesar das memórias, teoricamente, estarem mais próximas, parece ser mais difícil voltar a infância.
Crianças não são adultos em miniatura!!!
Me lembro que os jogadores mais velhos faziam muitas brincadeiras e coisas como “estou de mal com você” e “seu bobo” e ficavam telefonando um para o outro dando trotes imbecis. A Ray reclamava dizendo que crianças não agem desse jeito, mas alguns dias depois estávamos no parquinho do prédio com minha filha e presenciamos as crianças de 7, 8 anos fazendo exatamente o mesmo tipo de coisa.
Então, o que fazer para buscar interpretar crianças de uma maneira próxima a realidade e, principalmente, como conseguir ver o mundo e pensar como uma criança entre 6 e 12 anos faria?
Para quem tem filhos, talvez a tarefa seja mais fácil. Alguns dias de observação científica dos pequenos e tem material suficiente para interpretar uma crônica inteira. Crianças tem uma maneira de pensar diferente de adultos. É só observar como eles contam histórias para ver como o pensamento não é tão linear e a lógica bem mais simples que a nossa.
Crianças fazem coisas bizarras…
Mas se você não tem filhos, tem que buscar referências mais indiretas mas que podem ajudar bastante na formação do personagem. Filmes com personagens infantis tem a rodo por ai, mas alguns são bem interessantes para começar, por terem crianças confrontando situações fora do comum. Sugiro filmes como Goonies, Crônicas de Nárnia, A Testemunha, Quero ser grande, só para citar alguns.
Na literatura temos algumas opções legais também, como os livros de Mark Twain, J.M. Simmel (Mamãe não pode saber, Um onibus do tamanho do mundo, etc) e a séria Pollyana (para personagens otimistas somente).
Mas o importante é lembrar que crianças pensam diferente e agem diferente, normalmente com menos pudores e com uma imaginação muito maior. Então, não será nada demais seu personagem fingir que é um Power Ranger ou imaginar que o caminho da escola para casa é uma grande pista de obstáculos a serem vencidos com seus superpoderes. Crianças fazem isso. E ai está grande parte da diversão desse tipo de personagem.
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Agosto 12th, 2008 at 22:33
Minha mãe diz que eu era mau-humorada desde que eu era criança, etc.
E ainda no campo pessoal, dá para mencionar que eu era a única criança de um grupo de adultos, e só tive contato constante com outras crianças na primeira série.
Posto isto, eu provavelmente não era tão criativa e com um pensamento infantil tão desenvolvido assim. =D
Agosto 13th, 2008 at 10:24
Emular uma criança é muito difícil e por mais que nos esformcemos sempre vai ficar parecendo um adulto fingindo ser criança. Além de existirem vários tipos de criança, eu já nasci velha de acordo com minha mãe.
Agosto 13th, 2008 at 10:45
Hum… Interpretar outra pessoa já é dificil, sem deixar que traços de sua própria personalidade atrapalhem. Interpretar uma criança então, nem se fale. Infelizmente nunca tive qualquer experiência do gênero. Mas parece um tema interessante de se abordar.
Agosto 13th, 2008 at 15:02
eu ainda sou criança
Agosto 13th, 2008 at 17:23
Minha esposa varia a sua classificação de mim conforme a sua conveniência.
Quando eu compro miniaturas, ou desenhos animados, eu sou “crianção”, quando eu estou mal humorado (coisa freqüente) ela diz “parece um velho”.
Até parece que criança não pode ficar mal-humorada, chateada, preocupada… Não são características muito exploradas, sendo sempre ligadas aos adultos.
Obs.: Como sugestão de filme, sugiro o “Conta Comigo”. Os personagens são pré-adolescentes, mas dá pra tirar muita inspiração de lá. Dá pra ver que as preocupações são outras, mas existem. É o cara que te enche o saco na escola, é a bola que cai no ferro velho, é o dinheiro para comprar o gibi da coleção…