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Crônica de guerra?

Por Rocha

O Toiço tem um pequeno fascínio por guerras, ainda mais do que eu, que sou militar. E por várias vezes já conversamos sobre uma aventura em um campo de batalha. Esta idéia deve agradar outras pessoas, pois a Editora Daemon já lançou o Cães de Guerra, e como citado no WoDBrasil Scoop logo teremos o WoD: Dogs of War.
Porém, acho que criar uma campanha onde os personagens estejam no campo de batalha pode ser muito complicado e pouco divertido. O principal fator é o alto índice de mortalidade no chamado teatro de operações, os personagens teriam pouca chance de sobreviver a muitas sessões estando cara a cara com o inimigo, e por mais que você não se importe de perder um personagem, quando for criar outro ele acabará sendo muito semelhante. Lembre-se que sua personalidade é suprimida dentro do Exército, você esta lá para obedecer ordens, realizar missões, não há espaço para personalidade. Me orgulho, e muito, de ser subordinado ao Exército Brasileiro, porém, mais de uma vez bradei “Bem burro, bem burro, mas bem forte!” ou “No Exército nada se cria, tudo se copia”. Quem pensa são os oficiais (Eu), praças estão lá para agir, não para pensar.
Assim, mesmo criando outro personagem, no final ele tomará as mesmas ações, decisões, etc. Para mim esse troca-troca de personagem não faz sentido. É possível o narrador reduzir a mortalidade, mas qual a graça de uma guerra sem mortos?
Você também pode interpretar um combatente de elite (Brigada Pára-quedista ou Comandos), só que as missões serão isoladas uma das outras, mesmo tendo o mesmo objetivo final. Isto tornaria o jogo algo parecido com uma seqüência de one-shoots, ações desconexas uma das outras, isto tira boa parte do divertimento.
Interpretar militares fora de uma guerra não necessita de um livro especifico, uma rápida pesquisa no grande oráculo lhe dará todas as informações que precisa para interpretar. Então, qual o objetivo desses livros? Há como criar uma campanha de guerra real, sem o alto risco de personagens morrerem? O Pessoal se diverte realizando missões desconexas? Isso além do fato de ser militar limitar suas ações, como já disse acima, você obedece ordens, agir por conta própria põem em risco a vida de outros combatentes.

Claro que um bom narrador pode fazer uma história boa neste clima, mas este narrador não precisa de um livro especifico para isso. Assim, o que vocês pensam de crônicas em um campo de batalha?

Compare Preços de: Livros, RPG, Revistas, Quadrinhos, Mangá no JáCotei.

6 Comentários para “Crônica de guerra?”

  1. 1
    Ana:

    “mas qual a graça de uma guerra sem mortos?”
    Essa frase é tão você…

  2. 2
    Cid..:

    Já joguei de segunda guerra, mais como você disse.. é difícil trocar de personagem constantemente, e não vejo graça em ser um soldado de um comando Elite.

    mas deve ser interessante jogar com um narrador “bom no assunto..”

  3. 3
    Phil Souza:

    Isso me lembra os minutos iniciais de O Resgate do Soldado Ryan… (Medo)

    Bom, vai depender do nível de realismo que você inserir na situação. Os jogadores podem ser mais “afortunados” em certas situações que os outros em especifico. Algo que venha a medir e administrar essa “sorte” pode ser usado… Não falo de soldados se esquivando de balas como o Neo, por favor…

    Historinha: Uma ex-namorada minha tinha como pai um fanático por segunda guerra e armas de fogo. Não foi muito confortável conversar com ele sobre namoro na sala aonde ele quarda suas coleções… Fico imaginando se o Rocha tivesse uma filha e o rapaz fosse pedir ela em namoro…

  4. 4
    Rocha:

    Não tenho filha, mas a Ana tem!
    E já combinamos como vai ser o dia que ela levar alguém lá.

    Pais aparentemente gostam disso, como alguns sabem moro com duas meninas, uma Japa e a outra é filha de um cabo (fazendo curso de sargento) da RONE, um projeto de BOPE curitibano. Quando a irmã mais nova dela foi levar o namorado em casa, o pai dela estava fazendo manutenção na arma. Ele jura que foi por acaso.

    Mas, o tema aqui é guerra, presumo eu.

  5. 5
    Tsu:

    Então, com relação ao esquema de campos de batalha, estou estudando Gurps Mass Combat que vem no Gurps Conan e Japan…lá tem os esquemas para determinar as forças da tropa, sobrevivência dos personagens, variáveis que interferem na jogada de disputa de estratégia, etc…
    Ainda não testei, pretendo fazê-lo na minha próxima mesa. Estou preparando as tropas, terreno, etc.

    Realmente, no exército real não temos chances para mostrar nossa personalidade e sermos as estrelas do filme. No meu grupo de jogo, os personagens não pertencem ao exército, mas formam um grupo de bandoleiros/piratas, que têm uma liberdade um pouco maior pois são menos organizados q o exército do rei p.ex.(Ajuda o fato deles serem a cúpula do grupo de bandoleiro). Acho q se os personagens participarem da guerra, mas como um grupo de mercenários, vai ficar mais interessante para eles.

    Num jogo de Battletech (combate de robôs/wargame), não podíamos movimentar os robôs (cada jogador controlava um ou dois) para onde quiséssemos, tinhamos que seguir as instruções do líder. E isso tornava o jogo bem chato às vezes…então chutamos a hierarquia militar e passamos a jogar com liberdade mesmo. A gente corre o risco de perder a partida pq as tropas não agem de forma coordenada, com sinergia…mas foda-se, estávamos lá para nos divertir. rs

  6. 6
    Rey Jr (Ooze):

    Eu tenho um amigo que está finalizando o Barro Branco.
    É bem isso mesmo, sua personalidade fica em segundo plano.

    Sobre Jogos de Guerra, existem alguns jogos brasileiros que tratam sobre isto, creio inclusive que o nome de um deles é Fubar (Alguem lembroa de “Soldado Ryan”?

    Em minha opinião as saidas podem ser basicamente duas:

    1- Cada jogador é um alto oficial e comanda um pelotão e lida com suas perdas, aceitando as consequencias de suas manobras, tornando o RPG mais como um Wargame.
    2- Cada jogador representa uma “classe” dentro de um pelotão. Então um poderia ser o Médico, o Infantaria, o Granadeiro, o Batedor, etc (E qdo o Ten. Fisher morrer, entra o Ten. Hook, mas com a mesma funçao.)
    Nesse segundo caso o jogador interpretará uma função e não um personagem.

    De qqer forma combate em massa é mesmo coisa de Wargame fica dificil escapar dele.

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