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Dancing in the rain

Por Ana

Há dias chove em Curitiba. Não que isso seja algo raro por aqui, mas chuva direto acaba com a minha alegria de viver. Já disse que sou movida a energia solar. Somando a esse fato a minha aventura da semana passada, comecei a pensar como a chuva é um elemento deixado de lado nas crônicas de RPG.
Sério, não me lembro de nenhuma campanha, longa ou curta, em que tenha chovido no jogo. Nesse ritmo, a Terra seria um lugar muito seco e toda a vida teria se extinguido a eras. É claro que deveria chover em algum momento, mas alguém ai já narrou em um dia de chuva on?
Eu adoro chuva, desde que eu não tenha que por o pé para fora de casa. Se eu tenho que sair, seja a pé ou de carro, chuva é um estorvo. Molha tudo, deixa o asfalto liso, os motoristas burros e, caso você vá ao campo com freqüência, como eu, pode oferecer muitos outros riscos.
Então, porque não usar o clima a favor da narrativa?
Imagine uma aventura de D&D padrão, grupo de heróis resgata artefato mágico para salvar mundo. Tudo ia bem na caverna, muitos mortos-vivos e armadilhas superadas, todos estão quase chegando ao templo sob a pedra onde se encontra o talismã sagrado, quando ouvem um ruido. Ele começa baixo, como um tambor tocando ao longe, depois vai aumentando, parece que um batalhão se aproxima. Todos se preparam para enfrentar o inimigo, mas quando o inimigo chega, surpresa! Uma torrente avassaladora de água carrega nossos heróis pela caverna desgovernadamente. Nem magia nem encantos, somente a chuva torrencial do lado de fora que encheu as nascentes e inundou o rio, que invadiu a caverna. Um inimigo inesperado.
pense naquela imponente matilha de lobisomens. Fortes e ameaçadores, predadores perfeitos. Quase a matilha de prata. Eles invadem a construção atrás da cria da wyrm, prontos para a briga. Poderia ser a visão mais aterradora, se eles não parecessem um bando maltrapilho cheio de lama pela chuva do lado de fora. E se eles não cheirassem a cachorros molhados.

Imponente matilha secando ao sol
Imponente matilha secando ao sol
A chuva pode tanto ajudar quanto atrapalhar tremendamente os PCs, vai depender da imaginação e sadismo do mestre. Não só a chuva, mas eventos climáticos de maneira geral podem trazer grandes oportunidades de interpretação. Imagina um tornado ou algo até mais catastrófico. Pode agitar sua história.
Vamos para Kansas?
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12 Comentários para “Dancing in the rain”

  1. 1
    Rocha:

    Acho, apenas acho, que posso já ter visto um dia de chuva em alguma campanha de vampiro.Mas com certeza não concordo que chuva e lama deixem uma matilha menos aterradora. Na verdade parece ainda mais assustador se deparar com um bando de feras primitivas, indiferentes a chuva e com corpos tão sujos que seu sangue nem fará diferença quando escorrer pelo pêlo junto com o barro, a chuva e a salliva de um garou.
    Para completar, só um raio ao fundo fazendo você ver o terror ainda mais claramente por apenas, e não mais que isso, uma fração de segundo.

  2. 2
    Ana:

    Como eu disse, chuva pode ajudar ou atrapalhar. Depende do ponto de vista e da imaginação de cada um.

  3. 3
    Salsa:

    Na primeira vez que eu joguei AD&D choveu. Foi uma cena bem massa, na verdade. A gente tinha ido pras “Terras de Leen”(naquela época não tinha material oficial sobre os planos dos deuses) e quando voltou tava uma chuva forte e coisa et al. Não lembro direito da cena, mas lembro que foi bem legal o que aconteceu a seguir.
    O que eu lembro é que o clérigo do grupo, pela primeira(e última) vez, usou Convocar Relâmpagos(que na segunda edição causava um dano monstruoso) e matou o bicho fodão do mestre.

    Depois desse dia nunca mais choveu em Arton.

    Tempos depois, já no D&D3, acho que choveu de novo. Convocar Relâmpagos não era tão forte, e era só pra Druida agora(e ninguém joga com Druida).

    Essa coisa de chuva é algo que eu sempre penso quando me dá vontade de mestrar. Tanto chuva, quanto vegetação, vento, viajantes nas estradas, cheiro das dungeons e das cidades e tudo o mais.
    Mas na hora de mestrar eu também esqueço de narrar esses detalhes.

  4. 4
    Salsa:

    Hm… só pra esclarecer, o que “aconteceu a seguir” e que “foi legal”, não foi o clérigo bozolizando o NPC do mestre, e sim o resto da cena.

  5. 5
    Ricardo Foureaux:

    Me perdoe, mas não acho que elementos climáticos sejam sempre colocados de lado em aventuras de RPG. A chuva, por exemplo, é minha eterna fonte para criar climas de terror. Adoro mestrar rpgs de terror, e em Call of Cthulhu aprendi a usar o clima como elemento chave para climatização. Se tiver tempo e possibilidade, leia a parte de narração do CoC d20, e entenda como é importante essa mecânica. Desde que li esse livro, todos os meus jogos de rpgs, sempre de terror, mas nem sempre de CoC, se tornaram bem mais arrepiantes.
    Abraço

  6. 6
    Phil Souza:

    Chuva… para ação e terror ficam muito interessantes. Elas trazem drama. Não costuma usar cheva como obstaculo ( não que seja má ideia… ) mas como uma ferramenta que compõe o clima da cena.

  7. 7
    Phil Souza:

    Um recado salsa…nas discussões na maioria dos foruns Druida é cotado como umas das classes mais fortes que existe junto com os clérigos…

    “Use forma animal, tenha um companheiro animal (este alias com o subir de nível pode ser substituido por mais poderoso e mesmo os primeiros não são tão fracos) e pegue o talento para soltar magia enquanto se está na forma animal… ”

    Esse é combo básico…

  8. 8
    Salsa:

    Não disse que é ruim, Phil. Eu disse “e ninguém joga com Druida”.

    Se for contar desde a época da segunda edição, eu posso contar nos dedos das mãos o número de Druidas de que eu tive notícia.
    E TODOS(menos um) duraram poucas sessões, porque os jogadores não souberam jogar direito com Druida.
    Não digo que essa ou aquela classe seja ruim; depois de anos de playtest, acredito que o povo da WotC soube equilibrá-las. Mas que determinadas classes são difíceis de usar direito, realmente elas são. Conseqüentemente, joga-se pouco com elas.

  9. 9
    Ana:

    Salsa, só pra lembrar.
    O personagem que fiz para a próxima campanha de Tormenta é uma Druida. Uma nagah druida, para ser mais exata.
    Eu já joguei com druida e acho uma classe muito legal. Mas talvez para mim seja mais fácil porque sou bióloga e já trabalho no mato com certa freqüência…
    E o druida do Crânio e o Corvo é muito foda…

  10. 10
    Salsa:

    Sim, eu sei que o teu monstrinho é uma Druida. Mas a gente não começou a jogar ainda, então eu tomei a liberdade de tirar ela da minha lista.

    E não vejo como ser biólogo(a) ajude a usar as habilidades e magias do Druida de maneira mais eficiente.
    Quando eu digo “não souberam jogar direito com Druida” eu quero dizer “não souberam fazer máquinas de matar” ,”não combaram o suficiente”, “não decoraram a lista de magias e, conseqüentemente, não lembraram da magia certa na hora certa” ou coisa assim.
    “Não souberam controlar o bonequinho direito”, entende? No sentido mais videogamístico do termo.
    Interpretar, qualquer um interpreta. Com qualquer classe. E eu não teria a pachorra de dizer que eles não estavam fazendo direito.

    A não ser que “alguém” fique invocando o Avô Trovão o tempo inteiro(ou bizarrice equivalente), eu fico quieto quanto à interpretação.

  11. 11
    Rocha:

    Não consigo me adaptar com esse conceito de jogo de D&D.

  12. 12
    Phil Souza:

    Concordo, não lembro de muitos druidas em sessões.

    Não sei se era assim mesmo, mas dizia-se que o druida na versão 3.0 era um personagem muito desequilibrado. Um jogador frustrado ao tentar jogar com ele em sua primeira versão me disse que o druida era um jardineiro nada mais…

    Mas a WotC ainda não conseguiu equilibrar 100% Salsa. acho que nunca vão conseguir, mas na 4 edição chegaram ao ponto de definir 4 tarefas a se fazer durante o combate e atribuir cada uma a uma classe. O complicado que ai entra a ideá dos caminhos, talentos… Se eles não aprenderam com o 3.5 vai dar no mesmo…

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