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D&D 4º Edição – Minhas Impressões

Por Toico


Capa legal em..

Nessa vida corrida, levei quase um mês para ler o Players Handbook 4th e ainda não terminei ele, mas já posso dar uma impressão inicial de como as coisas ficaram e do que eu gostei e não gostei.

Vamos primeiro as coisas boas, que são as que fazem valer a pena pagar 57 doláres nos três livros (que afinal foi uma pechincha, quase metade do preço pela Amazon).

  • Classes: Gostei das classes escolhidas para o primeiro Players (já sabemos que ele não vai ser o único). Gostei também das classes “novas” do jogo. Principalmente do Warlock, vou falar mais dele logo abaixo. Os poderes das classes estão bem variados, mesmo que a grande maioria seja voltada para o combate e as classes em si estão bem montadas e principalmente equilibradas. O melhor é que esse equilíbrio é embasado pela mecânica, não só pela “historinha bonitinha da classe”;
  • Encontro: Gostei bastante do conceito de “Poderes por Encontro”. Eu já estou bastante acostumado com isso por causa da WoD e os seus poderes “por cena”, então essa adição foi uma mão na roda. Nada mais de poderes 1d6 x por dia do 3.X, uma coisa que era muito chata de controlar;
  • Paragons Path e Epic Tiers: Um método legal para variar um pouco das classes de prestígio aleatórias. As Paragons dão uma importância real para a classe básica do personagem, eliminando aquela coisa de “Vou pegar 2 níveis de mago, mais 1 de guerreiro, mais 1 de samurai para poder pegar a Classe de Prestígio Mago Armado Japonês”. Já os Epic Tiers dão um aspecto épico para os personagens, que nesse caso normalmente só aumenta o conceito da classe tipo “Arquimago” para Magos e Warlocks;
  • Warlock: A classe que eu mais gostei, principalmente pelas opções de Pactos que ele tem que fazer. São três Fey (poderes das fadas primordiais, os agentes do caos), Infernal (poderes vindo do tinhoso) e Star (poderes vindos da escuridão além das estrelas). Imagine um Warlock com o pacto “Star” tendo que enfrentar a “coisa” com a qual ele fez o pacto? Muito Lovecraftiano isso.
  • Perícias: A simplicidade nas perícias foi uma coisa boa. Agora, se a sua classe tem treino nessa perícia você ganha +5 nos testes com ela. E só. Nada mais de graduações, só 1d20+1/2 nível+Habilidade+5;
  • Action Points: Ações extras são sempre bem vindas, não? E ainda, alguns poderes das Paragons dão habilidades extras quando se usa um Action Point.

Claro que existem outras coisas boas, mas só coloquei aí as coisas que eu achei mais relevantes e que vão fazer a diferença quando eu for jogar. Agora uma listinha das coisas que eu não gostei na 4º edição.

  • Poderes: Os poderes estão quase que totalmente voltados para o Combate. O Ladrão tem alguns que não e o Mago tem mais alguns, mas a grande maioria dá dano. Isso é uma coisa que não é legal. Se eu quiser jogar com um Ranger caçador , não tem nenhum poder que me dá vantagem em caçar, só poder que faz eu dar dois tiros ou duas espadadas de uma vez. A Wizards podia ter se esforçado um pouco mais e colocados alguns poderes “não-combates” a mais;
  • Itens mágicos: Os itens mágicos pareceram perder um pouco do seu aspecto “único” que tinha na 3.x. Agora parece que todos estão muito “itens de fábrica”, mas ainda não estou muito convencido disso. Pode ser que apareça algo no livro do mestre que me faça mudar de opinião;
  • Saving Throws: Caramba, isso ficou ruim. Independente de qualquer coisa que tenha acontecido com o seu personagem, seja um sopro de um dragão ancião, ou um foguinho de Warlock de 2º nível, a chance dele se livrar do “fogo queimando” é de 55%. Sempre é assim. 1d20, se der 10 ou mais passou. Muito raro ter algum poder que piora ou melhora isso. Achei bem sem graça. Nem somar o nível (na rolagem ou na dificuldade) rola. Basicamente seja você um rato ou um dragão de 1000 anos, você vai ter a mesma chance de negar a tontura que deu em você.
  • “Re-treino”: A possibilidade de “retreinar” as suas habilidades, pericias, poderes e talentos é ridícula. Você “esquece” um talento que tinha para aprender outro. Chega a ser bobo pensar nisso. Tentei de várias maneiras achar explicações para isso, mas não tive sucesso. Alguém aí me explica como o cara esqueceu Esportes e aprendeu Arcana?
  • Reuso de ilustrações: (pura birra) É sacanagem reutilizar imagens antigas em novas edições. Totalmente brochante ver ilustrações do antigo livro dos monstros no Livro dos Monstros novo. Pô, eles tem 7 dígitos de orçamento!
  • Obrigatoriedade do Grid: Para aproveitar os poderes de verdade, precisa usar os quadradinhos. Não tem como jogar sem isso e realmente utilizar os poderes direito. Eu, que normalmente acho chato usar o grid, vou tentar dar um jeito nisso, mas a Wizards poderia ter me ajudado um pouco mais a fazer isso.

Por enquanto que é isso. Não li a fundo ainda as regras de Combate, Skill Challenge e Rituais, então não posso falar muito sobre elas. Se alguém achou alguma outra coisa que seja relevante, podemos discutir nos comentários.

Quando eu terminar de ler o Livro do Mestre, venho aqui denovo falar sobre ele.

Compare Preços de: Games, Dragon Fable, MMO, RPG no JáCotei.

8 Comentários para “D&D 4º Edição – Minhas Impressões”

  1. 1
    M.K.:

    Eu até queria ler o D&D4 para tirar minhas impressões… Mas não vou ler 600 páginas em PDF. E se for para comprar, prefiro aguentar mais um pouco e esperar uma versão em portugues. Mas o pouco que vi, achei interessante, mas não achei que justificou a mudança tanto assim. Mas veremos o que o tempo dirá.

  2. 2
    Phil Souza:

    Não é birra não, reutilizar imagens do livro dos monstros antigo foi uma péssima idéia, vira pretexto para xiitas. O novo livro dos monstros me deixou bem chateado por causa dessa pilantragem.

    Já os saving throws não estão decendo pela garganta de ninguém…

    Gostei pessoalmente do Warlord, mais que o Warlock, seu conceito é divertido.

    Mas por mais que eu tente continuo na 3.5. No máximo acompanho as novidades de Pathfinder que parece ser uma evolução natural para quem não está lá muito interessado nessa nova edição…

  3. 3
    Rey Jr:

    Aiai, la vou eu bancar o Mala novamente.

    Retraining: Realmente dificil de descer. Esquecer Mãos Flamejantes porque seu Mago-Guerreiro aprendeu um poder marcial de nivel equivalente… é duro.Porem eu acho que é AÍ que entra o Roleplay que tantos clamam. Mas espere um pouco também né. O antigo mago esquecia a magia assim que lançava. “Uau mago, como vc fez isso? Que magia foda!” , “Er…não me lembro. Me pergunte amanhã!”
    Quanto á Skills elas só podem ser “Trocadas” se forem skills basicas da lista de sua classe. Ou seja, é uma skill para a qual vc já tem afinidade. Aí entra também o Roleplay e a pessoa não ESQUECE a skill, ela simplesmente está “destreinada” enquanto se dedica a uma nova pericia. Sim sim, é forçado, eu sei, mas dá pra engolir (meio de atravessado).

    Saves: Um dragão é um monstro Solo, e como tal tem bonus nos Saves (tá no DM Guide). Mas a questão toda ao meu ver é: O que vai acontecer com você enquanto vc não consegue seu Save.
    Se livrar de uma chama, de uma cegueira e de um veneno são sim coisas diferentes. E poderiam até ter suas variações. Mas o jogo está primando pela agilidade. Nesse ponto, ao jogar, voce vai dar graças a deus por esta simplicidade.
    Até vc se livrar o efeito vai ser mais ou menos devastador dependendo do seu nivel. Um Dragão Antigo dá risada de “5 Ongoing Ice Damage”. Ele mal terá sentido isso até se livrar do efeito. Já um Goblin estará praticamente morto antes de conseguir um save.
    Ai está, ao meu ver, a beleza do Save. Simples e Funcional.

    Muitas mudanças que aconteceram ficaram MUITO estranhas quando voce as lê.
    Mas quando tudo isso vai pra mesa de jogo, você pensa “Ah, agora entedi”

    E realmente o Grid é necessário. Mas ele já era desde o 3.X. O sistema se encaminha pra este lado há tempos.

    Poderes voltados ao combate: Os poderes são poderes de combate. Eles estão apenas cumprindo sua função quando utilizados em combate.
    Eu creio que tudo o que não é combate, no 4E, foi propositadamente jogado em cima de Testes de Pericias (Que estáo bem abrangentes), roleplay e background.
    ” Mestre, quero que meu ranger seja um excelente caçador!”
    “Ok, jogador, treine Nature e adicione essa informação ao seu background. Se voce quiser caçar algum animal não vou fazer disso uma tortura-com-dados.”

    Estou utilizando Muito no 4E o viés que os Autores enfatizaram: “Diga SIM !”
    Pra tudo que os jogadores tentam eu digo SIM. Mas não é “Sim, você conseguiu”. É “Sim, é possivel tentar”.

    Diferente do outros, eu estou vendo MUITO roleplay no 4e.

  4. 4
    Salsa:

    Bem, o Rey Jr falou mais ou menos o que eu ia dizer.
    E acho que todo moleque que era estilo “Denis o Pimentinha” quando pequeno e virou nerd é um bom exemplo de alguém que esqueceu Esportes pra aprender Arcana, certo?

    E os Talentos, como andam? Ninguém comentou deles. Será que não jogaram os poderes não-combativos para os Talentos? Talento = coisa geral, Poder = porrada, daí.

    Mas eu não gosto de grid, nem de miniatura, nem nada. Quanto mais “feche os olhos e imagine o que o Mestre está falando e só abra no fim da sessão” for, melhor, quanto menos, pior, na minha opinião.

  5. 5
    Rey Jr:

    Uma das maiores criticas que eu tenho ao 4E (e olha que eu não acho que as regras dele revolucionaram e foram a melhor coisa que aconteceram no rpg nos ultimos 2008 anos) é que o livro (os 3) parecem incompletos.
    Digo, eles estão propositadamente incompletos.
    As feats são poucas e fracas, tão pobrinhas as coitadas que a maioria dos personagens acabam pegando as mesmas, por falta de opção.
    Paragons Paths e Epic Destinies terem seus livros proprios já era de se esperar. Um livro de Rituais, é uma cartada certa.
    Enfim,o livro todo parece ser apenas uma Pincelada, sendo que a pintura completa se dará nos anos a vir (e nos dolares a gastar).
    Não gosto deste capitalismo selvagem. O DM Guide é bom. Mas não é tudo o que poderia ser. O livro dos Monstros é o mais deficitário, deram prioridade zero a ele, pois alem de figuras manjadas, muitos clássicos ficaram de fora um pequeno exemplo: P.: Ah cade o Dragão Dourado? R.: Draconomicon. É disso que to falando. Deixaram coisas de fora apenas pra colocarem em suplementos.
    Concordo que agora existam mais tipos de um mesmo monstro e isso é ótimo pro jogo. Mas faltou a Ecologia. Isso faltou.
    E no Livro dos Jogadores realmente não dava pra ENFIAR mais coisas do que já colocaram, mesmo assim logo percebemos que quase todos os capitulos desse livro vão ganhar um Suplemento.

  6. 6
    Tanathos:

    Concordo e discordo de todo mundo!!!

    Só pra chamar a atenção.

    O fato de sairem muitos livros complementares não é necessariamente um problema, afinal todos vão fazer downloads deles, e os que pagam pagam mais por isso, “es la vita”.

    4º edição, Está absurdamente melhor que qualquer outro sistema ja visto, apesar de ainda incompleta.

    e sobre os detalhes comentados o unico inaceitavel foi a reutilização de ilustrações anteriores.

    ( não que eu tenha curtido “ESQUECER” poderes, mas alguns sacrificios podem ser aceitos, desde que por bons motivos.)

  7. 7
    Stone:

    Sei lá acho que a questão dos poderes terem ficado única e exclusivamente para combate deixou o jogo meio assim “matamos primeiro, perguntamos depois … e se der tempo matamos denovo” sei lah eu adoro combate Deus sabe que sim mas tem poderes que servem para o roleplay e tem poderes que servem para o combate, acho que so faltou umpouco de visão com relação a isso, no mais sem querer ser contra tudo e todos ainda utilizo a versão 3.5 e não tenho muitas reclamações que não possam ser corrigidas por nós mesmos.

  8. 8
    Stone:

    P.S.: A regra do “Sim você pode tentar” é ótima.

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