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“É doce? Salgado? Azedo? Amargo? Qual a consistência?”

Por Ray


Qual é o gosto disso?

Senhores, cavalheiros, vós bem sabeis que eu adoro esta matilha. Adoro-a tanto que, sempre que vejo um bom post, penso em algo interessante.

E às vezes, até partilho estes pensamentos convosco.

A descrição sensualista de prazeres feita pelo Daniel no post d’As Mulheres de Atenas me despertou uma linha de questionamentos:

O uso(ou não uso) dos sentidos na caracterização dos personagens e na mesa de jogo.

Volteando o tema sexual, mas não apenas nele, a maioria dos seres ocorre de ser bastante sensível a estímulos dos sentidos. Visões paradisíacas, sabores excelentes, toques agradáveis. E, para a absoluta maioria, um belo espécime do sexo oposto sintetiza todos esses estímulos simultaneamente. Claro, um terço do encantamento é hormônio e dois quartos idealização. Mas o que sobra – a atração física inexplicável – funciona de forma aleatória, e não pode ser emulada em mesas de jogo.

Não pode justamente porque a soma de todas as características que fazem uma pessoa repulsiva ou atrativa como o diabo foge não apenas à capacidade descritiva do melhor dos narradores, mas ao racional. Nossos sentidos captam muito mais informações do que as que chegam ao nosso consciente.

O tópico “descrições” é sempre delicado como andar sobre uma corda de seda. Todo livro de RPG incita os Narradores/Mestres/Deuses de Seu Pequeno Universo a abusarem largamente das descrições táteis, olfativas, sonoras. Geralmente, eles se restringem as visuais, e ainda com comedimento monástico.
Mas mesmo que ele descreva, improvise, crie uma cena digna de ser transcrita para um livro, a reação dos PCs tende a ser, simplesmente, mecânica. Seja a um Apolo sorrindo estonteantemente, seja entrar em uma caverna seca e quente, com pedras ásperas e levemente brilhantes, a reação tende a ser uma resposta automática e pouco trabalhada, simulando verbalmente o que deveria ser a reação padrão para aquele evento narrado. Colocar o traje de frio, resmungar com os companheiros eventualmente, qualquer coisa ínfima assim.

Nada de “Como é macio o toque feminino sobre a pele nua, após violentos impactos sobre a armadura. O quão prazeroso seria, fechar os olhos e ter a certeza de que nada ruim acontecerá, se deixar levar a um plano onde nada mais existe(…)”, só tentar conquistar (não raro com rolagem de dados) a Filha do Taverneiro ou A NPC Bonita. Nada de olhares, respirações, cor de rosto e movimentos de cabelos e pernas. Apenas atos, específicos e robóticos.


And what about the taste of this?

Eu proponho uma brincadeira diferente.
Nas mesas de jogo que estiverem carentes de interpretação mais realista, proponham a todos tentar imaginar o mais vividamente possível as sensações experimentadas pelo seu personagem.
Para facilitar esse processo, há de se ter um estímulo sensorial. Pode ser algo particularmente saboroso a ser degustado, um aroma causado por incenso, velas, perfume, meios naturais ou o que preferirem. Pode ser algum brinquedo tátil (usem sua imaginação aqui), ou até mesmo uma música. Quão pisada e repisada já não foi a proposta de “trilha sonora” nas mesas de jogo?

Eu não sei vocês, mas me parece no mínimo particularmente divertido. Mas para ser eficiente em seu propósito ( impulsionar os personagens a interpretarem sensações e reações), o estímulo deve ocorrer durante a sessão, e o Mestre deve focar sua descrição de lugares, objetos e personagens no sentido sendo estimulado.

Posterior a isso, vocês devem ser cavalheiros e relatarem (aqui, em seus blogs, na Cabana do Dr. Love, onde preferirem) suas experiências. =)

Senhores, cavalheiros, eu vos desejo absurdos de diversão.


“-Bom, vamos só esperar o Marcos acender as tochas e a gente passa pra cena da caverna do Dragão Branco, que tal?”

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6 Comentários para ““É doce? Salgado? Azedo? Amargo? Qual a consistência?””

  1. 1
    Kajiya:

    Ou teremos diversão, ou então um abandono geral do povo Hack n’ Slash.

    o/

  2. 2
    Tsu:

    oh my god…
    se eu ficar descrevendo muito os meus players vão me estranhar…
    rs

    sobre trilha sonora,
    sabe q eu já tentei várias vezes…mas a galera fica enchendo o saco..ow..põe a música XYZ q é ideal para entrarmos na caverna. Quer que eu traga meu CD? Essa música é podre. Me dá o controle remoto…e por aí vai…eu mais perdia a concentração do q mestrava.

    Mas uma vez, jogamos no escuro e usamos velas. Num jogo de vampire…foi legal.

    Também gostamos de utilizar desenhos para ilustrar os NPCs e os PCs.

  3. 3
    Avoloch:

    é uma boa dica
    no nosso grupo somente nos momentos especiais há uma descrição detalhada, tanto do jogador como do mestre, se não o jogo perde a dinâmica
    tivemos um mestre que detalhava todas as descrições
    era muito chato!!!!

  4. 4
    Ray:

    Meus senhores queridos, tenham dó, que a Ray é burra mas não muito. Como comentado no post sobre narração, umas semanas atrás e reforçado por vocês seria muito, *muito* chato se cada detalhe insignificante for narrado. A maioria do que não é relevante nem é mencionado.

    O que me lembra um quadrinho do Order of the Stick em que um dos pcs, no meio da floresta perguntava: “Alguém tem algo pra fazer? Não? Então caiu a noite…” e o céu escurecia. =D

  5. 5
    Tsu:

    sei lá..acho q é uma questão de estilo do mestre e do jogo em si…
    eu sou mais “gamista” como os gringos falam…aí a descrição vai pro saco.

    Mas acho q é pq tenho mestrado muita fantasia medieval porradeira…

    qdo mestrava mago, eu descrevia as cenas, perdia tempo…er quer dizer…estimulava os personagens a interpretarem suas vidas pessoais…um inclusive teve um filho…e a cena de sexo foi tórrida pq o demonio da luxuria possuiu os dois huahuahuaa…eu fiquei morrendo de vergonha, mas descrevi…estas coisas me desconcertam…(Blush)…ainda mais no meio de um monte de cueca…acho q por isso evito

    Bom, mas tb notei q meus players ficam conversando durante as descrições e só prestam atenção nas cenas de ações…eles devem me ouvir falando igual a professora do Charlie Brown…mómómómómó…mómó..mómómó

  6. 6
    Tsu:

    sem falar q em mago o nível 1 das esferas permite um novo nível de sensações/percepções…
    O cultista do êstase do grupo fazia questão de usar drogas só pra eu ficar descrevendo as coisas psicodélicas…

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